Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




 

Qual é a versão que prefere? A versão do país real ou a versão oficial?


O país real é o que continua a amanhecer todas as manhãs a pensar no que lhe reserva este novo dia, o que é que lhe vão cortar desta vez. 

O país real é o que vive em sobressalto, mais um centro de saúde que fecha, uma escola que fecha, e isto onde já não há transporte nem correios. 

O país real é o das crianças que passam privações e maus tratos, e nisso o país surge-nos como uma ferida aberta.

O país real é o dos afectos, onde cabe sempre mais um, mas onde muitos se sentem excluídos e abandonados. 

O país real é o da jovialidade mesmo nas piores circunstâncias, mas é também o da ansiedade e depressão. 

O país real é o que emigra, procurando noutros países o que o seu não lhe dá.


O país oficial cabe numa fotografia. 

Lá está tudo ensaiado e só cabe quem levar credencial. 

As crianças cantam em coro, os adultos espalham sorrisos, e há folclore e condecorações.

No país oficial a cultura que prevalece é a das ilusões, tudo o que brilha, não é a dos valores essenciais. 

Aliás, esta é a cultura que foi sendo promovida desde a década de 80, o lucro fácil, a fama instantânea, o maior do mundo, nos rankings da vaidade que passa por sucesso.

Hoje qual é a marca Portugal do país oficial? Futebol e turismo. De resto, o tal empreendedorismo, palavra horrível e enganadora, pois operar em quase monopólio não é empreender nada, os perdões fiscais, as privatizações e os vistos golds não é empreender nada, as facilidades fiscais a estrangeiros residentes não é empreender nada.

O país oficial não é para os portugueses, é só para os que cabem na fotografia.

 

É por isso que quando ouço ali ao lado os nuestros hermanos considerarem a monarquia obsoleta, gostaria de lhes dizer que um rei está sempre ao lado do seu povo, sofre com o seu povo e alegra-se com o seu povo, ouve as suas preocupações e promove a comunidade onde todos têm lugar. É esse o contrato ideal. 

 

publicado às 13:38

Um exercício saudável para melhor analisarmos a nossa situação colectiva actual é a distância emocional, isto é, ver tudo como um filme em que cada personagem representa o seu papel que já vem num guião que lhes foi distribuído.

Temos papéis para todas as características da natureza humana: ambição, arrogância, ódio, vingança, mas também autenticidade, lealdade, generosidade e sensatez. 

O filme vai-se desenrolando à nossa frente, temos cenas déjà vu mas também somos surpreendidos aqui e ali.


No guião deste filme começamos a ver como alguns equívocos culturais ainda se mantêm na nossa vida colectiva, alguns de forma inconsciente, outros claramente montados de forma intencional:

estabilidade: aqui relativamente a um governo apoiado pelo Presidente, que insiste no mantra está tudo bem, tudo normal, tudo funciona, enquanto o governo utiliza tudo e todos, ultrapassa o seu poder, declara guerra aberta à última instituição democrática que resiste e tenta impor a sua agenda à força. Aproveitando o desvio providencial de todas as atenções mediáticas para o maior partido da oposição, continua a subir a parada da violência contra os cidadãos e as suas vidas. Desmontando este equívoco: em nome da estabilidade provoca-se a maior instabilidade.  

a ideia do líder forte: este é um dos grandes equívocos culturais que se tem mantido incólume até hoje, talvez uma das heranças do anterior regime, e que os media simplesmente adoram porque vive da imagem e do ruído e não do conteúdo ou da mensagem. Aquele que divide e gera conflito é mais mediático do que o que une e mobiliza. Voz forte e grossa, o animal feroz, o determinado, o macho alfa. Não por acaso, quem está a desmontar este e outros equívocos são vozes femininas: Maria de Belém Roseira e Ana Gomes. Assim como a desmontar o confronto com o tribunal constitucional, temos outra voz feminina: Isabel Moreira.

a mudança: o candidato ao poder no PS afirma-se a voz da mudança mas está apoiado pelos representantes do anterior governo socrático. A desmontar este equívoco temos várias vozes, uma delas de Álvaro Beleza, uma voz calma e sensata, precisamente o contraponto à euforia e histeria que os media adoram porque vivem disso.


Se mantivermos a nossa distância emocional e continuarmos a ver o filme, percebemos como ilusórias são estas vaidades humanas e que tudo se desenrola na mesma lógica: a euforia dá lugar à depressão, a histeria à apatia. 

Depois de todos os foguetes e buzinadelas, o que fica são praças e ruas desertas, o lixo espalhado, o vazio.


O que realmente preenche todos os vazios é a vitalidade, a autenticidade, a calma, a sensatez, os afectos, a verdadeira comunicação. 

O que realmente preenche todos os vazios não pode ser avaliado ou alienado no mercado global, como a confiança, a amizade, a lealdade, a responsabilidade.

É esta a mudança cultural que o país pode, se quiser, permitir e desenvolver. Uma cultura inclusiva, de respeito mútuo, em que todos têm um lugar e um papel.

Pode não ser desta vez ainda, mas não importa. No grande plano em que o nosso filme se desenrola, tudo isto é um segundo, um sopro, uma nota musical.   

 

 

publicado às 13:28

Construir tudo de novo e pintar de fresco (A Vida na Terra, 2014.05.01)

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 27.07.14

Alguns pontos para reflexão:

- em que situação estamos hoje como país, comunidade, famílias, pessoas?

- a que se devem os actuais desequilíbrios a todos os níveis, económico, social, do acesso à justiça, à saúde, à educação, a um trabalho digno e valorizado?

- qual a cultura de base que permite tais desequilíbrios, fracturas, desvios na organização da nossa vida colectiva?

- como contrariar essa cultura de base, retomando os ideiais iniciais da democracia, do equilíbrio económico e social, da energia vital de uma comunidade?

 

O regime actual será incapaz de se reformar de dentro e já se adaptou e organizou (hoje diz-se blindou) para neutralizar qualquer mudança que o possa pôr em causa. O regime de hoje tem a enorme vantagem de estar apoiado numa Europa que também traiu os seus princípios fundadores democráticos e se rendeu a uma cultura de base totalitária, por sua vez apoiada na finança internacional e nos grandes grupos económicos trans-continentais. Dito assim, parece um discurso ideológico, uma doutrina, mas estou simplesmente a descrever o que consigo perceber e deduzir.

 

 

 

 

É por essa constatação, de que este regime está blindado, que terá de ser a sociedade civil a iniciar uma nova construção e uma pintura de frescoO seu desenho é muito simples: em rede, pessoas, famílias, comunidades. O apoio mútuo, económico, social, jurídico.

Uma intervenção a todos os níveis, utilizando a margem que ainda resta às pessoas comuns, aos cidadãos, de algum poder de influência, como consumidores e como eleitores sobretudo, porque a margem está a ser reduzida e contraída até à sua anulaçãoHá muitas formas de neutralizar e anular os poucos direitos de cidadania que ainda restam. Como disse, o regime está blindado em novas leis que se baseiam perversamente numa emergência nacional e que varrem as leis existentes, até as leis básicas que organizam um país, as da democracia.

 

Os jovens têm aqui o seu papel. Afinal, são os mais idealistas, os que têm mais energia, os que se movimentam melhor num mundo conectado ao segundo. Mas será um movimento inter-geracional: as comunidades serão mais criativas e eficazes se juntarem todas as idades, que aliam o entusiasmo juvenil ao bom senso e à experiência.

 

O sistema político actual chegou a um impasse: os partidos que se reclamam do "arco do poder" estão a perder apoiantes, perderam a credibilidade popular de tal forma que mais uns anos e ficarão irrelevantes. O regime que neles se tem apoiado, prevendo isso, insiste noutra blindagem, o tal consenso.

A esquerda revela mais vitalidade, estando a surgir novos movimentos e partidos. E mais são necessários, não baseados em ideologias doutrinárias obsoletas, mas em princípios e valores fundamentais. Sim, novos movimentos e partidos, construir tudo de novo e pintar de fresco.

 

 

 

 

 

 

publicado às 23:28

 

Já o anterior governo adorava gráficos em powerpoint. Seguiu-se-lhe Vitor Gaspar e a lógica dos números. E actualmente somos bombardeados na televisão com uma chuva de números para provar a recuperação económica e justificar a austeridade.


Pordata e o site Conhecer a crise, de uma fundação de uma das fortunas nacionais que têm escapado aos impostos, disponibilizam informação elaborada numa base científica sobre a nossa situação actual. À primeira vista podemos supor tratar-se de informação objectiva e imparcial mas, como irei tentar analisar, a forma como é apresentada condiciona a nossa perspectiva sobre a austeridade.

 

Vamos então procurar perceber como esta informação científica e de utilidade cívica portanto, procura atingir os mesmos objectivos das estratégias políticas aqui referidas:

 

Abrindo o site da Pordata, na parte relativa ao país, onde antes víamos a correr o cronómetro da despesa pública em geral, vemos agora dois cronómetros, um das despesa pública com a educação e outro, da saúde. Dá vontade de dizer que faltam os cronómetros do juro da dívida, das PPPs, dos swaps, do buraco do BPN, da grande evasão fiscal, dos perdões fiscais e das prescrições em tribunais, das fundações, dos ajustes directos, da administração central, das câmaras municipais, do parlamento, etc. etc. Portanto, não é indiferente a selecção dos cronómetros a correr nesta primeira página. 

Outro pormenor, se formos espreitar a "população empregada" vemos que se mete no mesmo saco "a tempo completo e parcial".


Outro exemplo é a informação relativa aos contratos de trabalho no site Conhecer a crise: o queijo mostra-nos que 17,6% se refere a "outras situações" mas sem especificar se se trata da tal "população empregada a tempo parcial" ou qualquer espécie de trabalho precário, subemprego, estágios sem remuneração ou formação profissional. 

Nos dados relativos a "empresas por volume de negócio" os dados são provisórios e referem-se a 2012. Pergunto-me: de que nos servem estes dados sem estarem actualizados até ao 4º trimestre de 2013? Já tinha reparado neste pormenor relativamente ao dado "empresas sobreviventes" cuja percentagem, 86,6%, impressiona, mas que também se refere a 2012. 

Quanto ao "défice público" depara-se com este nº saído do nada: 3,6%. Na verdade, este dado é fornecido pelo Banco de Portugal, uma instituição que não supervisionou decentemente e até viu promovido o seu governador ao BCE, que depende directamente do BCE e que por isso é uma excepção aos cortes e que, mais recentemente, deixou prescrever o caso de um banqueiro.

O que aqui quero alertar é apenas o seguinte: estejam atentos aos dados que vos vão oferecendo, pois a sua apresentação não é inocente e as suas fontes nem sempre nos inspiram confiança. 

Mas na verdade, bastava-nos este nº relativo ao nº de pessoas apoiadas pelo Banco Alimentar para estar tudo dito sobre a "crise" e a natureza da austeridade.


Mais importante do que dados estatísticos e gráficos, é analisar, interpretar e contextualizar. Por trás desses números estão pessoas e vidas concretas.

Também aqui me refiro, a partir de uma série televisiva, a uma leitura de dados aparentemente desligados, mas que vão compondo o puzzle complexo de comunidades, países, regiões.

 

 

 

 

 

publicado às 18:02

 

Pode parecer paradoxal, a informação funcionar como uma estratégia política de condicionamento mental e comportamental. Afinal, a informação é, em princípio, uma base necessária para poder gerir as nossas vidas.

Pois bem, há a informação útil e que nos ajuda a tomar as melhores decisões para as nossas vidas, e a informação programada para nos condicionar a tomar as decisões prejudiciais para as nossas vidas sem disso nos apercebermos.


Alguns exemplos:

1. O PM verbaliza no parlamento que nunca mais voltaremos ao nível dos salários e pensões de 2011.

2. O Presidente escreve um prefácio prevendo que até 2035 iremos estar debaixo de uma monitorização que subentende a continuidade da austeridade.

3. Uma das fortunas que escapou à austeridade responde a um jornalista que os portugueses não podem querer ganhar um salário equivalente aos alemães porque produzem muito menos.


Vamos tentar desmontar as estratégias políticas utilizadas:


No primeiro exemplo, a frase do PM tem duas intenções claras: previsão do futuro a longo-prazo e mentalização dos cidadãos para próximos cortes. 

Para já, ninguém pode fazer previsões a longo-prazo, muito menos um governo que está a prazo. Segundo, o governo já não tem qualquer legitimidade para proceder a cortes em salários e pensões, uma vez que os já efectuados foram-no de forma abusiva e baseados em falsos pretextos. Terá de cortar noutro lado, não no trabalho e nas pensões relativas aos descontos efectuados. Mas a frase é mais perversa do que parece à primeira vista, pois tem uma mensagem subliminar que pretende implantar nas pessoas: adaptem-se à nova normalidade, à pobreza, à mediocridade, à vida esforçada sem futuro.


Também podemos encontrar esta mensagem subliminar no segundo exemplo, o prefácio do Presidente que aponta à nossa frente décadas de austeridade até pagar a dívida. 

Na verdade, esta frase também peca pela mesma arrogância: quem pode fazer previsões a longo-prazo, para mais um Presidente que cooperou estrategicamente com o anterior governo e apadrinhou o actual governo-troika? Também sintomática a saída do livro nesta fase crítica da nossa vida colectiva, em que se começam a sentir os sinais do desespero de quem atingiu o limite. Este é o país em que se verificou uma perseguição aos mais frágeis da sociedade, em que se acentuaram as desigualdades sociais - austeridade para pobres, prosperidade para ricos -, em que não se tocou na banca e nos grandes grupos económicos, em que se perdoaram evasões fiscais, em que não se fizeram as reformas certas, etc.


O terceiro exemplo, a opinião de uma das fortunas nacionais que tem lucrado com a cultura dos salários baixos, serve de indicador de mentalidades e revela uma cultura empresarial obsoleta, portanto, igualmente a prazo. 

Como aqui poderão consultar, na pág. 17: "... a impossibilidade de uma política de ganhos de competitividade através da redução dos salários nominais e dos impostos que incidem sobre o trabalho pagos pelas empresas. Aliás, é esse facto que motiva 1) que os dirigentes das confederações patronais tenham, desde sempre, chamado a atenção para a necessidade, sim, da redução dos custos de financiamento, de energia e de comunicações, mais do que os custos com salários, embora tenham aceite as políticas de redução salarial; 2) que o próprio Memorando de Entendimento tenha fixado a necessidade de uma redução daquilo que lá se denomina de “Rendas Excessivas” dos serviços prestados às empresas ou, de outra forma, dos “Custos de Contexto”, embora nada tenha sido conseguido desde 2011, apesar de estar no programa eleitoral do PSD e no Memorando de

Entendimento. Para tanto, os lucros da EDP (recentemente privatizada), da Portugal Telecom e outras operadoras, da banca, e de todas as entidades que prestam serviços às empresas teriam de ser reduzidos substancialmente, de modo a diminuir o seu peso no total da produção das empresas. 

Ora, por outro lado, e segundo as mesmas estatísticas, o custo das mercadorias vendidas e dos materiais consumidos correspondeu a cerca de 185 mil milhões de euros, enquanto o custo total do fornecimento de serviços externos se situou nos 85 mil milhões de euros, um valor bastante superior aos gastos com pessoal. Quando se analisa as diferentes atividades, repara-se que os serviços consumidos são sempre superiores aos gastos com pessoal. Se no total representam 1,75 vezes os gastos com pessoal, na indústria transformadora representam 1,25 vezes, no comércio 1,55 vezes, na construção 2,65 vezes mais e nos transportes 3 vezes mais."

 

Muitas são as estratégias políticas de condicionamento mental e comportamental, isto é, da nossa perspectiva da realidade e das decisões e iniciativas que podemos adoptar nas vossas vidas.

Não apenas as actuais lideranças políticas nos querem mentalizar a aceitar a austeridade como benéfica para o país, o que justificaria os cortes brutais que impuseram, como nos querem mentalizar a continuar a aceitá-los como necessários. A mensagem subliminar é esta: à vossa frente estão anos, décadas, de uma nova normalidade, uma vida sem perspectivas, uma vida sem futuro. A austeridade é apresentada como um destino, uma fatalidade, que se abateu sobre a maior parte da população portuguesa.

Uma tal mensagem não tem qualquer viabilidade porque esse cenário não é possível numa sociedade democrática. Uma tal mensagem só pode fazer sentido em sociedades rígidas e autocráticas.

 

 



publicado às 17:42

Os últimos posts sobre política nacional já a seguir

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 27.07.14

É verdade, já me despedi do Vozes_ Dissonantes. O que aconteceu é que, pelos vistos, ainda não me tinha despedido da política nacional. Assim, dei comigo a tentar analisar alguns acontecimentos caseiros n' A Vida na Terra utilizando o método que, pensava eu, nunca me iria deixar ficar mal: a dedução.

Não só verifico hoje que o lugar da política nacional é aqui e não na vida na Terra, pois a Terra (planeta) é um lugar muito mais abrangente do que a política nacional, como ainda por cima o método que tenho utilizado para a analisar, a dedução, já não me dá respostas úteis. 

De qualquer modo, a análise da política nacional destes últimos posts sobre a mesma envlveu alguma energia e tempo, pelo que os irei colar neste espaço. Digo últimos porque são mesmo os últimos. A política nacional é demasiado labiríntica para a poder perceber e acompanhar.

O que me motiva hoje são as comunidades criativas, sejam nacionais ou não. Pessoas que criam e constroem. Equipas que resolvem problemas.

Portanto, directamente d' A Vida na Terra os últimos posts sobre política nacional devidamente datados.

 

publicado às 17:21


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D